domingo, 9 de agosto de 2026

caminhos

 Caminho em silêncio nas encruzilhadas do meu peito. Ficar ensimesmada é lugar comum pra mim. Aproveito, se é que posso chamar de aproveitar, para me organizar por dentro. Caminho em silêncio. porque não sei ser diferente disso. Caminho sem caminho e uma frase ecoa em mim: "...no oculto do nosso sonho ousado, que me mostra como estar errado, talvez, seja a escolha certa." Por que você escolhe palavras tão certas? Outras palavras ressoam, lembranças me invadem, mas tudo passa. Essa frase persiste. Essa sensação impregna minha cabeça, me exigindo algo que eu não sei entender, e engole meu corpo como um rio caudaloso em que eu não deveria ter entrado, mas a curiosidade me impediu a cautela. E agora? Boio a esmo... Chega ao fim o que não teve começo. Mas, se acaba, por que não termina? Me pego pensando nessa brincadeira infantil de bem-me-quer-mal-me-quer que, sem pensar muito, fui brincando, arrancando as pétalas, sem me dar conta da possibilidade dos espinhos. Não estou machucada, mas sempre há tempo. Caminho sem caminho, sem rota e sem futuro e talvez isso não seja um problema. Eu, que sempre gostei de planejar, sempre caí pra comandar, sempre liderei sem liderar, me vejo sem grupo e sem guia, sem armadura e sem caminho. E me preocupo. Me preocupo por não me preocupar. Sabe, eu tenho muitos métodos, mas, quando escrevo, preciso do método sem métodos. Sem mentalizar, sem clair de lune, apesar da lune, sem ferramentas. Só um tremor, visão turva... E vomito na pauta como se tudo dependesse disso, como se todo sentimento fosse o último. Como se eu precisasse expurgar tudo de dentro de mim. E não paro. Até a última letra se desprender. E aí já posso respirar. É algo tão grosseiro, não? Mas eu sou grosseira. E se não for assim, não sou tão verdadeira. Sou fingidora. Esse enjoo nervoso me assombra, porque me faz pensar no que pode ser ou não ser. Ele me ludibria e puxa meu tapete. Preciso pensar menos, agir mais, mas pensar é a única coisa que me resta e, ao mesmo tempo o que começa a me atordoar. Já me sinto melhor, apesar de saber que ainda há possibilidade de mais alguma coisa sair de mim. Talvez o meu medo de caminhar sem mapas seja o que turva meu caminho, que poderia só ser apreciado em silêncio. Talvez, me deixar ser levada pelas águas desse rio, sem rota e sem rumo, não seja um problema, apesar do perigo. Afinal, quem quis entrar fui eu. Quem não sabe guardar as perguntas pra si, sou eu. E eu gostei desse mergulho no desconhecido. Só me lembrei, quando já era tarde, que tenho medo do desconhecido. E aí, sem plano, sem bagagem e sem mapa... já era tarde demais e eu já estava perdidamente perdida. Eu quero acabar com essa viagem. Eu quero acabar com essa viagem? Eu quero tomar mais decisões erradas-certas. Se pensar me atordoa, eu quero parar. Eu posso tentar.

De repente, pensar só no presente nunca foi tão simples.
Ciente.
Quero continuar.