abrindo uma página no blogspot como quem abre uma janela após uma série de cenas mostrando um período caótico do começo do apocalipse.
na minha cabeça toca: hello... is there anybody out there? do pink floyd.
o sentimento é meio dois em um. por um lado, acho interessante ver alguns transeuntes sobreviventes e, por outro, me sinto um tanto frustrada, afinal, no fundo do fundo, eu gostaria de estar sozinha aqui. eu gostaria da certeza de que não tem ninguém olhando, sem que eu precise me esconder. não sei porquê. sei que queria. quero.
o apocalipse em questão, eu não sei nomear. eu sei que um dia vimos o lançamento do primeiro iphone, o youtube tinha exatamente cinco youtubers e eu tinha um MP3 preto em formato de pen drive em que era possível colocar mais de 3.000 músicas. impressionante, hein? e aí, o que aconteceu foi que, eu pisquei e a tela que era meu msn, meu neopets, meu vídeo semanal de algo engraçado virou a dona dos meus dias, dos meus pensamentos e do meu destino. eu quero chamar a tela no masculino aqui, porque... enfim, porque eu posso. e ele passou a dominar todas as áreas da vida de todos nós, o que parecia exagero virou realidade e, dentro de 20 anos, já tem criança lesada de tela, já tem adulto que não consegue jantar sem youtube ligado, já tem gente que já não consegue se relacionar.
parece exagero, mas só parece. não é um caso isolado. tá tudo bem, admitir esse vício e admitir que deixamos os tentáculos se espalharem nessa sociedade que falhou, falha e falhará é difícil mesmo.
bom, uma pandemia virtual e uma física, um possível burnout e um ano de terapia depois, eu busco meio que sair da matrix, mesmo sabendo que é impossível sobreviver fora da matrix. eu busco tirar pausas da matrix. ele engoliu minha atenção, minha capacidade de pensar por mim, minha habilidade e vontade de ler livros diversos, minha vontade de viver, meus hobbies e minhas relações.
depois de 6 temporadas de Sex and The City, outro tipo de terapia, me peguei pensando no quanto as pessoas eram diferentes, fisicamente mesmo. ninguém tem o mesmo rosto filtrado e modificado. e as pessoas de fato se conheciam em ambientes públicos. tipo... conhecer alguém em um bar e fazer amizade? que? não morre nisso, as questões são muitas, mas como seria minha vida se eu fosse adulta no período em que fui criança e adolescente? o que os adultos faziam ao invés de assistir vídeos de até 30 segundos? quem seria eu adulta em 2008? é isso que estou buscando descobrir.
uma coisa meio Carrie na primeira temporada da série, Julie e Julia, O Diabo veste prada... eu pensei que seria assim, não essa bolota de dias entediantes, de contar segundos para voltar para uma tela. seja uma tela que te dá dinheiro ou uma tela que rouba seu tempo.
eu amo aonde chegamos com tudo isso. eu odeio aonde chegamos com tudo isso.
pra quem já não conseguia formar uma frase, cheguei longe. sem apoio, sem pesquisa, sem algo pensar e digitar pra mim. sem revisão, sem preocupação, sem performance, sem propagando, sem intenção. com intenção. e com a licença poética de bell hooks. também não quero usar as maiúsculas. sei lá, acho cringe.
tchau.
see you at the dark side of the moon.
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